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A Geometria do Essencial: A Poesia Marcante de Orides Fontela Ganha Antologia Infantil na Flip

A Geometria do Essencial: A Poesia Marcante de Orides Fontela Ganha Antologia Infantil na Flip

Por Redação •

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A obra de Orides Fontela, uma das vozes mais rigorosas e singulares da poesia brasileira, ganha novos contornos e chega ao público infantojuvenil por meio da antologia Pelos olhos de Orides. Homenageada nesta edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a autora é celebrada na publicação organizada pelo professor e crítico literário Augusto Massi, que conta com ilustrações de Cynthia Cruttenden e convida os leitores a mergulharem no universo lírico e essencial da poeta.

Nascida em São João da Boa Vista (SP), Fontela viveu uma infância simples ao lado da mãe, dona de casa, e do pai, marceneiro e analfabeto, figura com quem manteve forte proximidade e de quem herdou o primeiro contato com a poesia. Leitora voraz e excelente aluna, dedicava-se à escrita desde a adolescência, período em que redigiu seus primeiros sonetos e aprofundou seus conhecimentos em métrica com o suporte de mestres locais. Em sua juventude, teve contato com nomes consagrados como Gonçalves Dias, Manuel Bandeira e Alphonsus de Guimaraens, passando a publicar seus textos no jornal municipal O Município.

Foi justamente nesse veículo que o escritor e crítico literário Davi Arrigucci Jr., seu colega de infância, reencontrou seus poemas, incentivando-a a estruturar seu primeiro livro e a mudar-se para São Paulo, onde cursou filosofia e atuou como professora. A trajetória de Fontela foi marcada tanto pela força de sua produção literária quanto por desafios pessoais, como dificuldades financeiras, instabilidade afetiva e o alcoolismo. Consciente de seu papel, a poeta evitou o sentimentalismo em seus versos, buscando uma elaboração poética autônoma que transcendesse circunstâncias de gênero e se sustentasse pela própria densidade formal.

A antologia recém-lançada propõe um diálogo refinado entre texto e imagem. A capa, que destaca o olhar de uma coruja em amarelo sobre fundo azul, remete ao poema homônimo analisado por Arrigucci Jr. como síntese da poética da autora: concisão verbal, forte impacto imagético e uma percepção única do mundo. Fã declarada de Carlos Drummond de Andrade, a quem chamava de referência fundamental por causa do impacto fulminante de seus versos curtos, Fontela construiu uma obra pautada pela precisão e pela força das imagens.

As ilustrações de Cynthia Cruttenden partem do círculo — elemento simbólico recorrente na poesia de Orides — e desdobram-se em cerca de quinze elementos visuais que se reposicionam ao longo das páginas. Araras, caramujos, gatos, bem-te-vis, girassóis, estrelas e peixes habitam o livro por meio da técnica do carimbo, criando um movimento rítmico que ecoa a repetição presente nos poemas. A curadoria de Augusto Massi dividiu a antologia em cinco núcleos temáticos distintos:

  • Primeiro núcleo: Poemas que revisitam episódios biográficos cruciais para a formação da poeta;
  • Segundo núcleo: Textos que evidenciam o fascínio de Fontela pelas formas circulares;
  • Terceiro núcleo: Composições dedicadas a pássaros e peixes, refletindo a temática da migração pelos elementos;
  • Quarto núcleo: Versos voltados a uma variedade de outros animais;
  • Quinto núcleo: Poemas que celebram a liberdade das formas e dos seres.

Com posfiço assinado por Odilon Moraes, Pelos olhos de Orides aposta na inteligência do leitor infantil, rejeitando qualquer tom condescendente e reafirmando a potência transformadora da boa literatura, capaz de questionar, desobedecer e revelar a beleza profunda dos silêncios na poesia.


Fonte original: Quatro Cinco Um


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