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Entre a Antiguidade e a sofrência: Luana Chnaiderman estreia no romance com a obra 'Etiqueta'

Entre a Antiguidade e a sofrência: Luana Chnaiderman estreia no romance com a obra 'Etiqueta'

Por Redação •

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A escritora e psicanalista Luana Chnaiderman lança seu primeiro romance, intitulado Etiqueta (lançado pela editora Record), construindo uma narrativa densa e sobreposta que une referências da Antiguidade clássica, memórias afetivas de seu avô, o renomado tradutor e escritor Boris Schnaiderman, discussões sobre reprodução assistida e a estética da música de sofrência.

O livro abriga múltiplas tramas interconectadas. Uma delas resgata as lembranças do avô da autora, figura central que inspirou o título da obra. Conforme explica Chnaiderman, o termo remete tanto ao ato de rotular quanto à pequena ética cotidiana, traço marcante na trajetória de Boris Schnaiderman — intelectual que integrou a fundação do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP) a convite de Antonio Candido, lecionando russo durante o período da ditadura militar nos anos 1960 e 1970.

Outro eixo narrativo acompanha Dido, a rainha de Cartago retratada na Eneida de Virgílio, que enfrenta a perda do trono após se envolver com um estrangeiro. Em paralelo, a obra aborda a jornada de uma mulher de 42 anos que, após o término de um relacionamento, confronta as pressões do relógio biológico, o desejo tardio pela maternidade e a dinâmica do mercado de inseminação artificial e de doadores de sêmen.

O projeto literário também incorpora elementos gastronômicos, refletindo a fascinação da autora pela linguagem da culinária. A obra inclui listas e até mesmo uma receita de macarrão à putanesca, explorando a sonoridade dos verbos associados à cozinha — como cortar, picar, descascar e moer — como um paralelo ao próprio milagre da criação poética e da linguagem.

Escrito ao longo de quatro anos, o romance reflete a maturidade criativa de Chnaiderman, que iniciou o projeto aos 49 anos. Guiada por princípios como a coragem e a liberdade artística, a autora adotou a técnica da digressão, inspirada em clássicos como O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, permitindo que desvios narrativos enriquecessem a textura da história principal.

A construção textual de Etiqueta dialoga ainda com a tradição dos poemas de amor antigos e sua permanência na cultura popular brasileira, encontrando paralelos estéticos na obra de artistas como Caetano Veloso e em composições de sofrência de Marília Mendonça. Com essa estreia tardia, a autora consolida uma voz literária singular, marcada pelo risco estético e pela profundidade temática.


Fonte original: Quatro Cinco Um


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