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Escritor Geovani Martins denuncia remoção de livros escolares e alerta para censura

Escritor Geovani Martins denuncia remoção de livros escolares e alerta para censura

Por Redação •

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O escritor Geovani Martins, reconhecido por obras como "O sol na cabeça" e "Via Ápia", publicadas pela Companhia das Letras, utilizou suas redes sociais para denunciar o que classifica como uma "censura silenciosa". Segundo o autor, seus livros têm sido alvo de remoção discreta de bibliotecas e de programas de leitura voltados para a rede pública de ensino.

Lançado em 2018, "O sol na cabeça" retrata de maneira marcante o cotidiano de jovens moradores de periferias, abordando temas complexos como a violência policial, o tráfico de drogas e o racismo estrutural. O livro alcançou grande repercussão nacional e internacional, estando em sua 17ª reimpressão, com traduções em dez países. A obra também acumulou importantes reconhecimentos no cenário literário, figurando entre os cinco finalistas do Prêmio Jabuti de 2019 e conquistando o Prêmio Rio de Literatura no mesmo ano, na categoria Prosa de Ficção.

De acordo com o autor de 35 anos, os episódios recentes de exclusão não representam casos isolados. A manifestação pública iniciada em setembro abriu espaço para que diversos profissionais da educação compartilhassem relatos semelhantes sobre barreiras encontradas ao tentar inserir os títulos de Martins nas salas de aula. Em fevereiro de 2025, o debate ganhou contornos institucionais quando um requerimento na Câmara dos Deputados solicitou esclarecimentos ao Ministério da Educação acerca da adoção do livro no 1º ano do Ensino Médio do Colégio de Aplicação João XXIII, vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O questionamento apontava denúncias sobre trechos supostamente inadequados para menores de idade, o que gerou forte mobilização em defesa da liberdade de expressão artística e pedagógica.

Em contrapartida, instituições de ensino e editoras têm se posicionado firmemente na defesa da circulação da obra. A Firjan, responsável pelo sistema Sesi de ensino com milhares de alunos matriculados, esclareceu por meio de nota que a publicação não foi retirada de suas bibliotecas escolares. A Companhia das Letras, por sua vez, emitiu um comunicado repudiando veementemente qualquer tentativa de cerceamento, classificando o banimento de livros nas escolas como um ataque direto ao direito à educação e à formação crítica dos estudantes.

O autor ressalta que as treze narrativas que integram a coletânea — incluindo contos de destaque como:

  • “Rolézim”
  • “Estação Padre Miguel”
  • “Travessia”

sobreviveram ao tempo e continuam a dialogar com as transformações sociais. A relevância acadêmica da obra é atestada pela inclusão em listas de leitura obrigatória de importantes processos seletivos, a exemplo do vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para 2027.

Para Martins, o cerceamento à literatura reflete disputas em torno do papel político e formativo da escola. Nascido em Bangu e morador do Vidigal, o escritor avalia que o avanço de políticas de inclusão social, cotas e programas de acesso ao ensino superior permitiu que uma nova geração de professores, formada nas escolas públicas, trouxesse repertórios mais plurais e alinhados com a realidade social brasileira para dentro das salas de aula.


Fonte original: Quatro Cinco Um


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